Questões de saúde

Com a evolução da Doença de Alzheimer, o paciente perde a capacidade de cuidar de si, inclusive de sua própria saúde de maneira autônoma. A participação dos cuidadores é de suma importante para a garantia de bons hábitos e cuidados para situações que nem sempre a família está atenta, pois imagina que o paciente saberá como se cuidar. Há de se ficar atento para o fato de que, aos poucos, o paciente pode perder a percepção de si mesmo, ou seja, não conseguuir ou ter dificuldade para identificar quando algo está errado com seu organismo e, por isso, nem sempre solicitar ajuda. O reduzido autocuidado pode expor o paciente a riscos envolvendo sua saúde. A identificação precoce de problemas de saúde pode garantir a resolução de problemas de simples que se solucionados evitam agravamentos e complicações.

Além dos cuidados domiciliares, é essencial que a pessoa com Doença de Alzheimer seja constantemente acompanhada pelo médico para verificação da efetividade do tratamento e para uma eventual troca de medicamentos. Sugere-se que o paciente frequente o médico em intervalos de três meses ou menos, conforme solicitação médica. Deve ser avaliada a necessidade de proporcionar ao paciente tratamento interdisciplinar, englobando, além do médico, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, nutricionista, psicólogo, enfermeiro, assistente social e educadores físicos.

Administração de medicamentos

A perda de memória, a falta de atenção e a desorientação temporal consequentes da Doença de Alzheimer fazem com que o paciente, muitas vezes, não consiga seguir o tratamento sozinho. É necessário o acompanhamento e o auxílio dos cuidadores, para que o tratamento seja adequado, e que ele siga a prescrição médica e as orientações dos profissionais de saúde. Vale destacar que há riscos em se administrar outros medicamentos ou soluções caseiras como chás medicinais sem prévio conhecimento e consentimento do médico responsável, pois pode haver interações medicamentosas, ou seja, interferência no efeito dos medicamentos habituais, além de efeitos colaterais indesejáveis.

Dicas:

  • Supervisionar a ingestão de medicamentos, para garantir que o tratamento seja feito em doses e horários estabelecidos.
  • O uso de caixas apropriadas para distribuição de medicamentos por datas e horários é uma boa estratégia, mas requer que o paciente tenha preservadas determinadas funções como a orientação temporal. Pacientes em estágios mais moderados e avançados da doença não conseguem fazer uso desse recurso. Sugere-se o acompanhamento do paciente para verificação de controle adequado de medicamentos e que os remédios sejam organizados nas caixas sempre com a presença de um cuidador. A cada intervalo de organização da caixa de medicamentos há que se verificar se falta ou sobra unidades. Nessas circunstâncias, deve-se ter acompanhamento do paciente a cada dose administrada.

Problemas intestinais

Prisão de ventre pode causar desconforto e complicações clínicas. Diarreias, por sua vez, podem gerar alterações metabólicas e desidratação. É pouco provável que o paciente com Doença de Alzheimer acompanhe a frequência e a consistência das evacuações. Por isso, é essencial o acompanhamento do cuidador, sendo que períodos prolongados de ambas alterações envolvem riscos importantes à saúde do paciente.

Dicas:

  • Verificar se o paciente está inchado na região abdominal.
  • Notar se o paciente está com muitos gases.
  • Em pacientes na fase mais avançada da doença, monitorar a evacuação na troca de fraldas.
  • Períodos prolongados sem evacuação devem ser informados ao médico.
  • Prisão de ventre e diarreia podem requerer intervenção médica.

Infecções

Quadros infecciosos podem intensificar ou causar confusão mental, especialmente em idosos. As infecções a que os pacientes com Doença de Alzheimer são mais suscetíveis são pneumonia e infeção urinária. Como nem sempre o paciente consegue expressar o que está sentindo, principalmente nos estágios mais avançados da doença, é importante que o cuidador adote medidas preventivas e esteja atento a sinais como aumento agudo de confusão e febre.

Dicas:

  • Evitar que o paciente fique com a fralda molhada.
  • Monitorar o cheiro da urina, frequência, quantidade e queixa de dor ao urinar.
  • Garantir boa higiene íntima.
  • Higienizar a boca e as próteses dentárias após as refeições, de acordo com orientações do dentista.
  • Ao dar banho no paciente, manter a janela do banheiro fechada e evitar situações em que ele fique exposto à friagem.
  • Informar o médico diante de gripes e resfriados, para acompanhamento, evitando agravamento de sintomas, e solicitar orientação médica sobre a vacinação contra a gripe.
  • Monitorar a temperatura do paciente diante de suspeita de febre.

Desidratação e desnutrição

O reduzido senso de autocuidado decorrente das dificuldades do paciente com Doença de Alzheimer pode interferir na regular e saudável ingestão de líquidos e alimentos. Deve-se monitorar hábitos para garantir adequadas quantidades e qualidade de dieta sólida e líquida, a fim de preservar a saúde do paciente.

Dicas:

  • Oferecer líquido e alimentos para o paciente, frequentemente, e acompanhar a ingestão, visando a evitar engasgos.
  • O paciente deve alimentar-se sentado, nunca deitado.
  • O paciente deve ingerir pequenas quantidades de cada vez, em várias refeições, para facilitar a digestão. Quando disponível, recomenda-se a orientação de um nutricionista.
  • Para pacientes em fase mais avançada, pode ser recomendado comida pastosa e/ou espessante para os líquidos. Entretanto, reforça que essas orientações devem ser realizadas por médicos, nutricionistas e fonoaudiólogos, e o uso dessas medidas deve ser exclusiva para pacientes avaliados por esses profissionais e sob sua indicação.

Incontinência urinária e fecal

O paciente com Doença de Alzheimer pode perder a habilidade de reconhecer a necessidade de ir ao banheiro, de localizar onde fica o banheiro ou, ainda, de não saber o que fazer quando chega lá. A incontinência pode ocorrer, também, por um problema físico e, nesse caso, é preciso consultar o médico, pois ela causa constrangimento e, se não for tratada, pode favorecer a exclusão social do paciente.

Dicas:

  • Organize horários para o paciente ir ao banheiro em intervalos regulares de tempo, tomando como base os hábitos (horários) atuais.
  • Coloque na porta do banheiro um cartaz indicativo com letras grandes e cores vivas.
  • Deixe a porta do banheiro aberta e a tampa do vaso levantada. Se tiver bidê, procure cobri-lo, para evitar que o paciente utilize-o como vaso sanitário.
  • À noite, deixe uma luz acesa no caminho entre o quarto e o banheiro.
  • Verifique se as roupas utilizadas pelo paciente são fáceis de retirar.
  • Reduza ou elimine a ingestão de líquidos perto da hora em que o paciente costuma deitar-se. Ofereça líquidos somente até às 17h, por exemplo.
  • Caso a situação persista, procure orientação médica.
  • O uso de fraldas geriátricas pode ser necessário, mas deve ser feita criteriosa avaliação profissional, pois deve ser introduzida em momento oportuno e não apenas para facilitar o cuidado, visto que pode ser uma situação constrangedora que interfere negativamente na autoestima do paciente.
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