Tomada de decisões

A tomada de decisão é uma capacidade fundamental para garantir a interação satisfatória do indivíduo com o ambiente. Diante dos desafios cotidianos, a seleção de opções requer uma análise cuidadosa e uma avaliação criteriosa de consequências.

A perda da capacidade decisional das pessoas com Doença de Alzheimer não ocorre apenas em relação a temas específicos, mas envolve espectros variados de modo penetrante na vida desses indivíduos, com decisões diárias e estressantes relativas a pequenos atos corriqueiros. O paciente pode, aos poucos, deixar de conseguir avaliar as consequências e optar por alternativas saudáveis e seguras.

No contexto de mudanças de papéis e relações, a tomada de decisão por parte do familiar-cuidador passa a ser uma necessidade no provimento de cuidados para garantir segurança, conforto e sociabilidade ao paciente.

Temas e situações cujas decisões podem requerer auxílio do familiar-cuidador:

  • Adesão a tratamentos (medicamentoso, fisioterápico, estimulação cognitiva, atividades físicas).
  • Tarefas de higiene e aparência (tomar banho, lavar cabelos, escovar dentes ou cortar unhas, trocar e escolher vestuário).
  • Autonomia e segurança (dirigir automóvel, sair de casa desacompanhado, controlar finanças e fazer uso de dinheiro e regular a quantidade e a qualidade da comida).
  • Ausência de crítica ou presença de sintomas comportamentais (atitudes sexuais inadequadas, agressividade, isolamento, hostilidade acompanhada de mania de perseguição, ansiedade extrema, apatia e depressão).

A família pode considerar que assumir o poder de decisão é o mesmo que tirar a liberdade e agredir o paciente. Entretanto, se o familiar-cuidador aceita o processo de adoecimento e compreende os sintomas, será capaz de identificar situações de risco que poderão ocasionar prejuízos para a pessoa com Doença de Alzheimer. Proteger o paciente pode requerer decidir por ele e o principal critério nessa escolha é a segurança. Decidir pelo paciente pressupõe, portanto, mudança hierárquica e redistribuição de poder diante da incapacidade geradora de riscos, para preservar e proteger o paciente e suas relações.

Assumir papel hierarquicamente superior na tomada de decisão pode ser uma árdua tarefa para o cuidador. A sintomatologia pode ser reguladora do comportamento e ação de pacientes e de familiares-cuidadores em estágios e sintomas diversos. Com manutenção de respeito pelo idoso, como adulto que mantinha autonomia e que precisa de ajuda consistente para situações específicas (ajuda no que for necessário), a tomada de decisão pelo cuidador é uma mudança necessária para garantia de segurança, organização e identidade do paciente. Trata-se de um papel de extrema responsabilidade. Decidir pelo paciente em algumas situações pode ser equivalente a prover cuidado.

Esses dados apontam a importância de cuidar das relações diante da perda de autonomia, o que envolve um papel mais pró-ativo em relação ao paciente. Assumir poder sem ser autoritário ou gerar conflito nem abandonar o paciente à própria sorte devido à resistência por ele imposta, é um desafio. Encontrar o equilíbrio entre cuidar, garantindo segurança e mantendo, na medida do possível, autonomia e relacionamento de boa qualidade parece ser a situação ideal.

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