Perguntas frequentes

Ao longo de décadas de atuação no trabalho de apoio a cuidadores familiares, a ABRAz realizou milhares de reuniões de Grupos de Apoio e atendimentos telefônicos pelo serviço Fale Conosco ou em plantões especiais em datas comemorativas. Dessa extensa experiência com o público foram retiradas as perguntas mais frequentes de cuidadores e familiares de doentes de Alzheimer. Todas as questões foram respondidas e estão agrupadas por tema.

Dúvidas do cuidador

Síndrome do pôr-do-sol: “quero voltar para casa”. O que fazer?

Esse é um sintoma comum entre os pacientes com a Doença de Alzheimer, que acontece normalmente em períodos crepusculares (principalmente no final da tarde). Nesse período do dia, há maior tendência do paciente ficar confuso – dizer que quer ir para casa faz parte do sintoma confusional. Distraí-lo é uma das estratégias a ser utilizada para tentar acalmá-lo, caso esteja muito agitado. Mudar de assunto ou desviar a atenção do paciente para outros assuntos são outras formas de minimizar confrontos e discussões.

Lembre-se de identificar os sintomas e compreender que as atitudes do paciente não são, em grande parte, coerentes, voluntárias e nem provocativas. Não há uma receita para lidar com todos os sintomas de todos os pacientes. É importante tentar diferentes estratégias. Cada nova estratégia que parecer adequada, que acalme o paciente, poderá passar a ser repetida tantas vezes quantas forem necessárias.

Assim, quando encontrar uma forma de lidar com esse e outros sintomas, é recomendado que se repita a mesma estratégia, sempre. As variações não são eficientes com o paciente e podem gerar estresse no cuidador.

Há algum tipo de instrumento que rastreie o paciente que tem Doença de Alzheimer?

O que existe hoje no Brasil são alguns mecanismos de busca que possuem função de GPS, tipo celulares e relógios. É possível encontrar alguns aparelhos com essas funções de rastreamento em sites de busca, mas todos são importados.

Existem outras alternativas que muitos familiares utilizam para a identificação do paciente com Alzheimer, como colocar uma pulseira, colar ou costurar um tecido, na roupa, escrito com tinta apropriada, contendo algumas informações como nome e telefone de familiares. Infelizmente, temos de ter cautela em relação a isso, pois as informações podem ser utilizadas por pessoas mal-intencionadas.

Nossa recomendação é que o paciente saia sempre acompanhado por um cuidador, considerando que, além da possibilidade de se perder, ele também corre riscos de atropelamento, em decorrência do déficit de atenção.

Uma pessoa próxima a mim recebeu um diagnóstico de demência. O que devo fazer?

O momento de impacto de diagnóstico é um período delicado. Muitos parentes e amigos relatam que ficam desorientados, com muito medo, dúvidas e preocupações. A família tende a se desestabilizar, pois passa a sofrer uma mudança impactante com perspectivas, inicialmente, assustadoras. Buscar informações sobre a doença é muito importante. Trocar experiências com pessoas que também têm familiares com Alzheimer tem demonstrado ser uma ferramenta muito útil, pois mostra que existem alternativas para adaptações. Procure um Grupo de Apoio próximo à sua residência e tire suas dúvidas pelo telefone Faleconosco 0800 55 1906 ou em nossa página do Facebook. Você não está sozinho! Conte com a ABRAz.

Por que interditar juridicamente a pessoa com Doença de Alzheimer?

Com a evolução da Doença de Alzheimer, ocorre uma redução da capacidade de discernimento. O doente passa a não avaliar com precisão as consequências de seus atos. A pessoa pode não manifestar sua vontade ou não desenvolver raciocínio lógico, por causa das alterações cognitivas. Outra possibilidade é a perda de capacidade de comunicação, impossibilitando que as pessoas o compreendam. Nessas circunstâncias, e a partir de rigorosa avaliação, o doente pode ser considerado civilmente incapaz, por Lei.

A interdição serve como medida de proteção para preservar o paciente de determinados riscos que envolvem a prática de certos atos, como o de evitar que pessoas “experientes” aproveitem-se da deficiência de discernimento do paciente para efetuar manobras desleais causando diversos prejuízos, especialmente, de ordem patrimonial e moral. Podemos citar, como exemplo, a venda de um imóvel, de um veículo, retirada de dinheiro do banco, emissão de cheques, entre outros.

A interdição declara a incapacidade do paciente, que não mais poderá praticar ou exercer pessoalmente determinados atos da vida civil, necessitando, para tanto, ser representado por outra pessoa. Esse representante, que em geral é uma pessoa da família, é chamado de curador.

Tenho um familiar com a Doença de Alzheimer. Será preciso fazer tudo por ele a partir de agora?

É recomendável permitir que o paciente faça as coisas que ele ainda consegue fazer e que lhe proporcionem prazer, considerando sempre a sua segurança, ou seja, que ele não correrá riscos ao executar tal tarefa. Por exemplo, um paciente que gosta de cozinhar, muitas vezes pode não ter mais a capacidade de planejar a tarefa e talvez corra alguns riscos em decorrência da perda de memória e de orientação. Porém, na medida do possível, é interessante que ele participe dessa atividade. A maneira correta é o paciente executar a tarefa com supervisão de outra pessoa, para que não se corte, não se queime, nem deixe o fogo aceso.

O cuidador (supervisor), nesse caso, poderá auxiliar, orientando a ordem de fazer as tarefas e em qualquer outra dificuldade. É importante ressaltar que o paciente que antes podia executar essa tarefa com muita facilidade, após a instalação da DA, pode encontrar dificuldades em realizá-la. Então, o acompanhante deverá ter muita paciência e disposição para colaborar.

Outro ponto importante é não chamar a atenção do paciente para os seus erros e incapacidades, pois isso pode gerar frustração e, em muitos casos, faz com que ele desista de realizar atividades, ficando desanimado e se isolando.

Considerando esses pontos, haverá grande benefício para a pessoa com Doença de Alzheimer em executar tarefas consideradas fáceis para aquele estágio da doença que podem render um bom desempenho, favorecendo a autoestima do paciente. Quanto mais estímulo o paciente tiver, melhor. 

Assim, o cérebro dele estará sendo ativado.

Páginas