Perguntas frequentes

Ao longo de décadas de atuação no trabalho de apoio a cuidadores familiares, a ABRAz realizou milhares de reuniões de Grupos de Apoio e atendimentos telefônicos pelo serviço Fale Conosco ou em plantões especiais em datas comemorativas. Dessa extensa experiência com o público foram retiradas as perguntas mais frequentes de cuidadores e familiares de doentes de Alzheimer. Todas as questões foram respondidas e estão agrupadas por tema.

Dúvidas do cuidador

O que fazer quando o paciente fica, subitamente, agressivo?

A primeira atitude é tentar identificar, no ambiente, fatores que possam ser responsáveis pela agressividade, para evitá-los. As situações que podem favorecer a agressividade são: ruídos excessivos, ambientes agitados e confrontos com a incapacidade do doente. Quando os fatores não forem identificados, a melhor maneira é ter postura de tranquilidade. Dar respostas que expressem nervosismo pode intensificar a agressividade. Cabe lembrar que alterações súbitas de comportamento podem estar associadas a quadros de infecção, desidratação ou intestino preso. Nesses casos, é necessário informar à equipe de saúde para fazer uma investigação e tomar providências.

É verdade que não se pode contrariar a pessoa com DA?

Não. Embora seja importante promover a autonomia do paciente, a garantia de segurança é fundamental. Por isso, caberá ao cuidador tomar as decisões com sensatez. Quando o paciente fizer escolhas perigosas que ponham em risco sua segurança física, financeira, de saúde (alimentação e tratamento), ou ainda sua integridade moral, a família deve cuidar e selecionar, com bom senso, ações permitidas, eliminando solicitações inviáveis e temerosas.

O que fazer com a sexualidade exagerada do paciente? Existe remédio?

Alterações de comportamento com exacerbação de sexualidade podem acontecer e são sintomas da doença. Em geral, são mais frequentes em homens e pode melhorar parcialmente com algumas medicações. Além de medicamentos, sugere-se evitar ocasiões que possam favorecer estimulação sexual, com especial cuidado nas situações de auxílio na higiene do paciente. Devem ser colocados limites claros diante do exagero. Existe um capítulo do livro da ABRAz que aborda especificamente esse tema.

Síndrome do pôr-do-sol: “quero voltar para casa”. O que fazer?

Esse é um sintoma comum entre os pacientes com a Doença de Alzheimer, que acontece normalmente em períodos crepusculares (principalmente no final da tarde). Nesse período do dia, há maior tendência do paciente ficar confuso – dizer que quer ir para casa faz parte do sintoma confusional. Distraí-lo é uma das estratégias a ser utilizada para tentar acalmá-lo, caso esteja muito agitado. Mudar de assunto ou desviar a atenção do paciente para outros assuntos são outras formas de minimizar confrontos e discussões.

Lembre-se de identificar os sintomas e compreender que as atitudes do paciente não são, em grande parte, coerentes, voluntárias e nem provocativas. Não há uma receita para lidar com todos os sintomas de todos os pacientes. É importante tentar diferentes estratégias. Cada nova estratégia que parecer adequada, que acalme o paciente, poderá passar a ser repetida tantas vezes quantas forem necessárias.

Assim, quando encontrar uma forma de lidar com esse e outros sintomas, é recomendado que se repita a mesma estratégia, sempre. As variações não são eficientes com o paciente e podem gerar estresse no cuidador.

Há algum tipo de instrumento que rastreie o paciente que tem Doença de Alzheimer?

O que existe hoje no Brasil são alguns mecanismos de busca que possuem função de GPS, tipo celulares e relógios. É possível encontrar alguns aparelhos com essas funções de rastreamento em sites de busca, mas todos são importados.

Existem outras alternativas que muitos familiares utilizam para a identificação do paciente com Alzheimer, como colocar uma pulseira, colar ou costurar um tecido, na roupa, escrito com tinta apropriada, contendo algumas informações como nome e telefone de familiares. Infelizmente, temos de ter cautela em relação a isso, pois as informações podem ser utilizadas por pessoas mal-intencionadas.

Nossa recomendação é que o paciente saia sempre acompanhado por um cuidador, considerando que, além da possibilidade de se perder, ele também corre riscos de atropelamento, em decorrência do déficit de atenção.

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