Cuidando do cuidador

Familiar-cuidador

Neste depoimento quero chamar a atenção para o cuidado que todo cuidador deve ter com sua própria saúde. Minha mãe, de 82 anos, tem Alzheimer há três anos. Leiga, achava que ela estava caducando e que era normal em sua idade. Com o avanço da doença, ela se achava vítima de roubo e acusava quem estava à sua frente, escondia objetos tirados do lixo, dizendo ser dela desde criança. Levei minha mãe a um neurologista que, com o diagnóstico errado, medicamentos fortes, como calmantes, passamos a viver como inimigas.

Ao terminar meu dia de trabalho estafante, tudo o que queria era ir para qualquer outro lugar, menos para casa. Cheguei a dormir muitas noites no carro. Não aceitava a situação, fui ficando impaciente e os sentimentos de amor e de compreensão foram se esgotando. Fiquei atordoada, com insônia, sem apetite, sem vaidade, perdendo a autoestima, com o raciocínio cada vez menor, interferindo no meu trabalho.

Após um ano de sofrimento, busquei um geriatra. Tudo começou a mudar, a partir daí. Por orientação desse médico, tirei uma licença e viajei. Minha mãe ficou aos cuidados de meu filho, mesmo jovem, com 33 anos e solteiro, soube lidar com a situação.

Fiz uso de um antidepressivo e minha mãe foi devidamente medicada. O geriatra me esclareceu sobre a Doença de Alzheimer, me aconselhou e me orientou. Hoje, minha mãe está mais calma. Ainda estou tentando adequar as questões financeiras, com despesas com dois cães e dois gatos que minha mãe se apegou. Como ela se sente feliz com os animais, estou procurando conciliar a situação. Penso que se não tivesse buscado outro médico, talvez minha mãe estivesse internada ou utilizando medicamentos errados. Deixo apenas uma mensagem: cuidador, cuide-se!