Conflitos familiares

Familiar-cuidador
João Pessoa – PB

A Doença de Alzheimer não atinge apenas o paciente; envolve toda a família, na sua complexidade, nas angústias geradas, nas dúvidas não esclarecidas. Mães, pais, filhos, netos, tios, sobrinhos, parentes e agregados do doente mergulham num processo imenso de aflição, tristeza, incompreensão, desconfiança, cobranças, críticas e todos os demais sentimentos negativos.

As brigas surgem em torno da questão dos recursos financeiros para a assistência e o cuidado do familiar; custos de medicação, dos serviços médico e psicológico e, sobretudo, qual dos parentes se responsabilizará pelos cuidados e se haverá um suporte de um cuidador e como será administrado.

Os parentes próximos estão ocupados com filhos menores, trabalho, e outros questionam a própria doença, seja porque desconhecem o tratamento, seja porque o julgam apenas paliativo.

Se o paciente possui bens e renda, a administração desse patrimônio pessoal também gera controvérsias. As famílias mergulham em desavenças, enquanto o doente fica cada vez mais alheio a tudo o que o cerca. A perda da memória e do contato com a realidade progride na mesma medida do distanciamento com os familiares, o que faz a pessoa com Alzheimer se sentir cada vez mais isolada e abandonada, com o avanço da doença.
Se a família depender de assistência pública para o cuidado com o familiar, a situação é mais crítica. E quando o paciente não tem filhos, marido ou esposa, fica na dependência de alguém que possa dar apoio a ele.
Por isso, é precioso lutar pelo doente de Alzheimer, proporcionar melhor qualidade de vida a ele, oferecendo carinho e os cuidados necessários, sem abandoná-lo.

* A irmã caçula tem Alzheimer