Não aceitação

Familiar-cuidador
Joinville – SC

Percebi alguma coisa errada com a minha avó materna. Eu já a havia levado ao geriatra, fizemos uma tomografia. O resultado apontou atrofia de cérebro que, aliado ao comportamento estranho, levou ao diagnóstico de Alzheimer. O geriatra sugeriu que eu participasse das reuniões da ABRAz e foi o que fiz e faço sempre que possível.

Meu tio, filho de minha avó, não aceitou as minhas informações e decidimos marcar nova consulta, para que o médico o esclarecesse sobre a doença. Após a conversa com o médico, minha avó levou um tombo, sem motivo aparente. Ela ficava sozinha, na maior parte do tempo.

Depois de atendida no hospital, comuniquei a meus tios que o acidente tinha acontecido em decorrência da doença. Para minha surpresa, eles me acusaram de estar mentindo, recusaram-se a admitir que minha avó tinha Alzheimer. Até hoje, depois de um ano, eles ainda não falam comigo.

Levei minha avó para morar em casa, que fica nos fundos da casa de meu pai, onde ela morou por mais de 30 anos. Ela se adaptou, mas não parava de falar no suposto “marido”. Havia dias em que ela não reconhecia a casa que morou por tanto tempo. Dizia não saber o nome da rua nem do bairro. Noutros dias, lembrava de tudo.

Parece engraçado, mas, na verdade, a mudança dela para minha casa mudou tanto a nossa vida. Como tenho dois filhos, de 9 e 13 anos de idade, tive de pedir ao meu pai para contratar uma pessoa para cuidar de minha avó, que voltou a morar com ele. Pode parecer egoísmo, afinal eu, como neta, teria a obrigação de cuidar dela. No entanto, minha avó tem mais quatro netos que sequer aparecem para visitá-la. Se não fosse a ajuda dos terapeutas ocupacionais e do médico, que nos ouvem e nos aconselham, não sei o que faria.

Agradeço a esses profissionais pela força e também à ABRAz, que, por meio dos informativos, mantém-nos firmes para enfrentar o dia a dia.